A todos:
(Se não lerem mais nenhum post deste blogue, leiam pelo menos este)
Quando o Felipe Massa, piloto de Fórmula 1, teve aquele infortúnio grave que quase o matava, eu evidentemente solidarizei-me com os familiares e com todos os adeptos e demais pessoas que o conheciam e lhe queriam bem, nos desejos de melhoras rápidas e completas, e de que ele pudesse regressar em breve à competição.
Foi um acidente lamentável, mas acontece. A técnica é apurada, mas pode haver sempre um descuido humano ou uma falha no material de que resultam às vezes coisas insignificantes, ou, como foi o caso, muito graves.
Mas a Fórmula 1, como desporto-rei das quatro rodas, tem sido o expoente máximo das inovações científicas e tecnológicas: se não fosse o capacete que muitas pessoas ajudaram a desenvolver ao longo dos anos, incluindo o ex-colega de equipa Michael Schumacher, o Felipe Massa hoje poderia não estar connosco.
Se muitos antes dele, ao longo das décadas, não tivessem infelizmente ficado pelo caminho - porque isto dos avanços, seja em que área for, tem quase sempre vítimas e mártires - hoje o Felipe Massa poderia estar justamente a ser ele próprio uma vítima e um mártir, para sempre lembrado na história como um dos que ajudou a tornar o desporto mais seguro.
Se não fossem todos os que conduziram carros sem as protecções que os de hoje têm e se eles não se tivessem espetado na curva seguinte e infelizmente provado que o carro precisava de mais segurança; se as curvas não tivessem sido desenhadas e alteradas ao longo dos anos para que se tornassem cada vez mais seguras, recorrendo à experiência, a cálculos matemáticos de velocidade e resistência dos materiais; se não se tivessem lembrado de colocar pneus nas barreiras para amortecer o choque (e se os pneus não tivessem sido inventados e aperfeiçoados!), de que o Felipe beneficiou; se não se tivesse inventado um meio de transporte rápido, que pode aterrar e descolar na vertical - helicóptero, que permite o socorro e a deslocação em tempo útil dos feridos até ao hospital; se os médicos de hoje não fossem o resultado do saber acumulado de estudiosos e médicos anteriores - que também cometeram erros (há sempre mártires, como dizia) - até se chegar ao estado da técnica que hoje há; se não houvesse nada disto, mesmo com toda a boa vontade do mundo, o Felipe Massa poderia muito bem não estar aqui para agradecer.
E foi justamente agradecer a primeira coisa que Felipe Massa fez quando voltou à ribalta. Agradecer a Deus.
Deus que não fez nada para impedir que uma mola saltasse da traseira do carro do seu compatriota Rubens Barichello e o atingisse a alta velocidade, aumentando exponencialmente o seu relativamente diminuto peso de 800 gramas. Só depois é que Massa agradeceu aos médicos. Os médicos que só o puderam salvar porque todos os outros factores que eu referi acima estavam presentes, porque o capacete ainda o protegeu, porque o carro é mais seguro do que há uns anos, porque as barreiras de protecção existiam e absorveram o impacto do carro, porque havia um helicóptero. Porque muitos trabalharam e outros ficaram pelo caminho. Tudo fruto de trabalho árduo de pessoas de carne e osso, ao longo das décadas, para que pudéssemos chegar ao ponto de desenvolvimento e conhecimento que temos hoje, e de que ele, Felipe Massa, pudesse, entre outros, beneficiar.
Deus que, se é omnipresente como dizem, presenciou o acidente e nada fez para que aquilo não acontecesse. Ou, numa hipótese que muitos não considerarão possível, ainda que seja concebível, Deus quis que acontecesse daquela forma.
Seja como for, ao não impedir, compactuou. É como estarmos numa peça de teatro em que somos todos marionetas ao dispor do senhor que puxa os cordelinhos. Podemos ter a liberdade de pensar, mas os nossos movimentos e o nosso destino ficam ao sabor alheio. Que significado tem uma pessoa agradecer a um Deus que não se sabe que papel teve no seu acidente, e cujo papel, por igual razão, também não se sabe ter tido na sua recuperação, excluindo o de, pelo menos, não ter conspirado contra?
Será um agradecimento submisso, de alguém que se submeteu a Deus e se declara à sua mercê, como diz o islamismo ? Alguém que não critica ou pede explicações quando acontece o infortúnio, mas que agradece quando acontecem coisas boas ?
É uma pessoa ser colocada no mundo com certas características e depois aprender, à custa de sofrimento, a melhorá-las e agradecer a Deus essa possibilidade - quando têm essa possibilidade e não morrem no processo, num qualquer acidente estúpido ?
Enquanto isso, outras pessoas são incomparavelmente mais sortudas, felizes e vivem uma vida muito mais preenchida e longa. É por isso que se acredita na reencarnação ? Porque, mais cedo ou mais tarde, também nos vai calhar na rifa cósmica nascer no sítio certo, à hora certa, nas condições e ambiente social e genético certos, como pessoas, outros animais, plantas ou árvores ?
Ninguém sabe a resposta. Muita gente acredita que sabe a resposta, mas ninguém consegue demonstrar que está certo. Ninguém sabe o que o futuro reserva. Ninguém sabe explicar o funcionamento "disto".
"Isto" é sem dúvida muito interessante, sem dúvida. Reconfortante, recompensador quando nos esforçamos e a coisa corre bem; que nos torna humildes quando não corre bem e temos mais chances e conseguimos com determinação, sabedoria e humildade, vencer. Do superlativo positivo ao superlativo negativo existe de tudo, em quantidades e em espaços variáveis.
Ninguém sabe porque é que existimos, e como é que existimos. Ninguém sabe o que é o contrário de "haver".
Pode ser que um dia lá cheguemos. Cada dia sabemos mais. De coisas que conseguimos, de facto, demonstrar.
Talvez um dia também consigamos demonstrar científicamente a teoria social do porquê muitas pessoas sentirem a necessidade de acreditar em Deus, mesmo aquelas pessoas que sabem que antes de Jesus Cristo, o seu Pai e o Espírito Santo, houve muitos outros Deuses, inclusive estátuas da Deusa egípcia Ísis com o menino Órus ao colo, que foram depois utilizadas, tal qual, como mostrando a Nossa Senhora com o Menino Jesus ao colo.
Mesmo para esses, que não ignoram a história e o conhecimento acumulado da humanidade, que sabem que todos os Deuses são relativos, porque conhecem os que são venerados agora e os que foram venerados antes, mesmo para alguns desses continua a fazer sentido a crença numa entidade superior, desligada das religiões - tão terrenas, efémeras e mutáveis, por muito impossível que lhes seja descrever o como e o porquê.
Ora aí está uma pergunta interessante: porque é algumas pessoas têm a necessidade de acreditar ? É genético ? É social ?
A mim porém nunca me convenceu a explicação que nunca foi explicada. Não é só pelo facto de nunca ter sido explicada, demonstrada, e isso dava pano para mangas, mas pelo facto de essa explicação, por muito gloriosa que possa ser, não responder às duas perguntas fundamentais: como, porquê?
Como é que há Deus, porque é que há Deus ?
Como é que existimos, porque é que existimos ?
A simples possibilidade que nós, seres humanos temos de fazer estas perguntas, é simultaneamente fabulosa, maravilhosa e um autêntico orgasmo da existência, mas ao mesmo tempo é aterradora. O facto de, ao contrário das crianças muito novas, termos plena consciência do aqui e do agora e não sabermos responder às questões que entretanto tivemos o brilhantismo de conseguir colocar. É talvez pelo terror que isso provoca que há pessoas que decidem, deixam-se, submeter-se a um Deus desconhecido, que julgam, através de múltiplas histórias que enformam uma civilização, conhecer. Sempre é melhor ter uma explicação que nos sirva de abóbada do que o vazio.
Há mesmo quem decida que Deus não é terceiro, mas que somos todos, tudo o que existe e conhecemos e o que existe e ainda não conhecemos. Mas, ainda assim, as duas perguntas acima colocadas ficam por responder e nenhuma das questões acerca do funcionamento do "matrix" fica esclarecida.
Eu prefiro o vazio. Pode parecer estranho. Mas também é verdade que o vazio já foi mais vazio, e há-de ser cada vez menos vazio. Se um dia iremos conseguir responder às duas perguntas que coloquei acima ? Acho que não. Tenho quase a certeza que não, que nunca vamos descobrir. Nesse dia tudo acabaria. Teríamos chegado, por assim dizer, ao fim do jogo, do puzzle. E no meu modesto entender, este puzzle é infinito.
E com o que temos sempre nos governámos, venha Deus daqui ou dali, apareça e desapareça esta ou aquela religião, esta ou aquela crença, nós existimos ao longo dessa história. Porque nos temos uns aos outros. E eu acredito nas mulheres e nos homens. Mesmo quando não acredito no que eles dizem, é o que temos. É nossa tarefa fazermos com o que temos o melhor que pudermos. Se quisermos ser felizes, claro. É cá uma intuição que eu tenho :D
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12 de junho de 2010
12 de abril de 2010
Vou divorciar-me deste blog
Foi bom enquanto durou, mas o propósito está preenchido.
Esta foi mais uma etapa na progressão do discurso, na argumentação, na troca de ideias. Um agradecimento especial a todos os frequentadores assíduos desta casa, e uma saudação geral a todos os que por cá passaram. Este blog, agora arquivo, fica à vossa disposição ad eternum, ou até apetecer ao blogger ou a mim :D
O novo blog, a ser criado brevemente, será divulgado aqui. (Já criado)
Aqui fica um "até já" dinâmico:
Esta foi mais uma etapa na progressão do discurso, na argumentação, na troca de ideias. Um agradecimento especial a todos os frequentadores assíduos desta casa, e uma saudação geral a todos os que por cá passaram. Este blog, agora arquivo, fica à vossa disposição ad eternum, ou até apetecer ao blogger ou a mim :D
O novo blog, a ser criado brevemente, será divulgado aqui. (Já criado)
Aqui fica um "até já" dinâmico:
3 de janeiro de 2010
3 de setembro de 2009
Olá...
... o que será aquilo ?

- Será uma torradeira movida a água ?
- Um partido político credível ?
- Uma sanfona ensanduichada num marmelo ?
Não! Porque tudo isso é impossível!
É o Meireles! De volta mesmo a tempo para a verdadeira silly season!
Sejam bem-vindos, regressados que sois, ou não, de destinos paradisíacos! Portugal por cá continua como sempre, em crise desde a sua fundação!
Post Scriptum: Este post marca uma nova era no blog, agora que falta pouco mais de um mês para fazer um ano.
Até aqui todas as fotografias por mim colocadas nos posts eram surripiadas da internet sem apelo nem agravo e sem qualquer tipo de consideração pelos eventuais direitos de autor.
A fotografia em cima foi tirada por mim em 2003. Decidi ser original. No sentido de as fotografias serem minhas, claro, o conteúdo das mesmas deixo à vossa consideração. Vem isto a propósito de a minha máquina digital ter decidido enveredar pela escola surrealista, produzindo agora resultados que rivalizam com Dali ou com o período violeta-cinzento que o Picasso não chegou a ter, por manifesta inferioridade do artista por comparação com a minha portentosa máquina.
E vai disto e decidi voltar a pôr a bom uso a minha sempre disponível e boa companheira Canon EOS 500N, comprada no ano de 1998. E paguei tanto pelas pilhas e pelo rolo que decidi que a vou usar durante pelo menos um ano, se ela o entender, claro! Esta e outras fotografias são portanto digitalizadas o melhor que consegui. Sempre que assim não for, di-lo-ei.
Post Scriptum 2: os dois últimos posts tinham ficado com as minhas respostas por dar, devido à entrada em cena dessa chata da silly season (é chata mas todos a adoramos não é? :D), mas eis que hoje dei seguimento aos dois posts. Aos interessados, é já aqui a seguir!

- Será uma torradeira movida a água ?
- Um partido político credível ?
- Uma sanfona ensanduichada num marmelo ?
Não! Porque tudo isso é impossível!
É o Meireles! De volta mesmo a tempo para a verdadeira silly season!
Sejam bem-vindos, regressados que sois, ou não, de destinos paradisíacos! Portugal por cá continua como sempre, em crise desde a sua fundação!
Post Scriptum: Este post marca uma nova era no blog, agora que falta pouco mais de um mês para fazer um ano.
Até aqui todas as fotografias por mim colocadas nos posts eram surripiadas da internet sem apelo nem agravo e sem qualquer tipo de consideração pelos eventuais direitos de autor.
A fotografia em cima foi tirada por mim em 2003. Decidi ser original. No sentido de as fotografias serem minhas, claro, o conteúdo das mesmas deixo à vossa consideração. Vem isto a propósito de a minha máquina digital ter decidido enveredar pela escola surrealista, produzindo agora resultados que rivalizam com Dali ou com o período violeta-cinzento que o Picasso não chegou a ter, por manifesta inferioridade do artista por comparação com a minha portentosa máquina.
E vai disto e decidi voltar a pôr a bom uso a minha sempre disponível e boa companheira Canon EOS 500N, comprada no ano de 1998. E paguei tanto pelas pilhas e pelo rolo que decidi que a vou usar durante pelo menos um ano, se ela o entender, claro! Esta e outras fotografias são portanto digitalizadas o melhor que consegui. Sempre que assim não for, di-lo-ei.
Post Scriptum 2: os dois últimos posts tinham ficado com as minhas respostas por dar, devido à entrada em cena dessa chata da silly season (é chata mas todos a adoramos não é? :D), mas eis que hoje dei seguimento aos dois posts. Aos interessados, é já aqui a seguir!
6 de julho de 2009
Obrigado! / Thank you!
Vítor, Lady, Rute: obrigado!
Espero continuar a merecer a vossa estima e presença (de espírito)!
(e ainda estou à espera do primeiro comentário de pessoas que sabem que o blog existe! Sim, vocês sabem quem são, seus/uas malandros/as! ;)
Estes 100 demoraram a chegar; foram pensados, alguns repensados. Não deixaram de conter muita parvoíce à mistura, aliás, como previamente anunciado :D. Não quero fazer do blog uma antologia, nem tão pouco os primeiros 100. É o dia-a-dia, com racionalidades e impulsos à mistura. Se houve porém uma coisa que quis sempre fazer foi colocar algo de mim, embora por vezes muito indirectamente.
Sinto que ainda agora comecei a estar à vontade para escrever num 'papel' aberto ao mundo, e principalmente para escrever sobre mim, que é algo que eu sinto que 'naturalmente' não tenho feito.
Ainda estou à procura da melhor forma de o concretizar. Tenho a impressão de que vou dedicar os próximos 100 a isso.
Beijos e abraços a todos!
(Seleccionem os que quiserem receber; podem acumular! :D)
Espero continuar a merecer a vossa estima e presença (de espírito)!
(e ainda estou à espera do primeiro comentário de pessoas que sabem que o blog existe! Sim, vocês sabem quem são, seus/uas malandros/as! ;)
Estes 100 demoraram a chegar; foram pensados, alguns repensados. Não deixaram de conter muita parvoíce à mistura, aliás, como previamente anunciado :D. Não quero fazer do blog uma antologia, nem tão pouco os primeiros 100. É o dia-a-dia, com racionalidades e impulsos à mistura. Se houve porém uma coisa que quis sempre fazer foi colocar algo de mim, embora por vezes muito indirectamente.
Sinto que ainda agora comecei a estar à vontade para escrever num 'papel' aberto ao mundo, e principalmente para escrever sobre mim, que é algo que eu sinto que 'naturalmente' não tenho feito.
Ainda estou à procura da melhor forma de o concretizar. Tenho a impressão de que vou dedicar os próximos 100 a isso.
Beijos e abraços a todos!
(Seleccionem os que quiserem receber; podem acumular! :D)
4 de julho de 2009
How long is this blog ?
27 de março de 2009
A minha vida tem de mudar nos próximos dias
Ao longo dos últimos meses cheguei a várias conclusões quanto ao que quero fazer na vida.
1. A primeira resume-se com grande facilidade: tirei o curso certo para não perceber nada sobre o mundo e sobre a realidade específica do mundo para a qual o curso me prepararia.
Não me pareceu bem repetir a ideia do "tirei o curso errado", porque é fácil olhar para trás e tirar conclusões precipitadas e radicais, a não ser que tivesse sido obrigado a tirar o curso, que não fui, ou que conscientemente tivesse tido essa ideia 'nos durantes' e não tivesse feito nada, o que também não aconteceu com clareza e distinção.
2. A outra conclusão também é simples: ao fim de três anos de vida "no terreno", senti que não gosto do meu metier.
Lido com chico-espertismo elevado ao quadrado, quer com as pessoas que comigo vêm ter, quer com os colegas de profissão. E no que toca a colegas, constatei que isto é com grande probabilidade geral; estou a generalizar com algum fundamento. E posso aprofundar, mas não aqui. E por ter feito parte disto, pus a mão na consciência e pensei: isto já é uma profissão difícil, desnecessariamente complexa, com muitas "interferências exteriores", muitos enganos, muitas pré-concepções, muito formalismo bacoco, ainda por cima estou a enveredar pela esperteza saloia, com riscos de enveredar pelo eticamente censurável ? Além da falta de respeito que existe para com a classe. Em grande parte merecida, diria eu. As minhas desculpas ao colegas honestos, e acima de tudo, rectos. São poucos.
Mas isto é o reflexo do país, que deixou muitas das suas reputadas instituições cair no lodo. É uma questão de mentalidade, de falta de educação, de valores, e não tanto de cargo ou de profissão.
3. A terceira conclusão é a de que tive a clara noção de qual a profissão que quero seguir.
Se não tivesse sido isso, provavelmente andaria a arrastar-me durante mais uns meses, quiça anos e a ser manifestamente incompetente e infeliz naquilo que faço. Reconheço-o, não consigo ser bom naquilo de que não gosto, se não continuar mais a enganar-me, o que manifestamente já não consigo. Foi o que fiz durante o curso, pelo menos no sentido de achar que iria seguir a carreira previsível, quiça por não vislumbrar alternativa de que gostasse mais.
O problema agora é mudar de carreira. Dir-se-ia, "quem não arrisca não petisca", mas em tempos de crise pode parecer uma aberração deitar tudo a perder no ramo onde estou.
Mas estou saturado. Estou pessoalmente apagado. Nunca me consegui integrar neste mundo, de me conformar à norma e percebi exactamente porquê. Nunca fui feliz, raros foram os momentos de algum entusiasmo e de motivação. Não dá. Nem mais um dia. Estou com sede de viver, de fazer as coisas de que sei agora gostar, de me soltar das amarras a que me agrilhoei nos últimos anos.
Ainda estou no início da carreira, de qualquer das formas; não é para isso que serve o período inicial ? Para saber se gostamos ? Na hora da verdade há que fazer o balanço e saber se queremos dar o passo seguinte.
Não obstante, isto vai ser difícil...
1. A primeira resume-se com grande facilidade: tirei o curso certo para não perceber nada sobre o mundo e sobre a realidade específica do mundo para a qual o curso me prepararia.
Não me pareceu bem repetir a ideia do "tirei o curso errado", porque é fácil olhar para trás e tirar conclusões precipitadas e radicais, a não ser que tivesse sido obrigado a tirar o curso, que não fui, ou que conscientemente tivesse tido essa ideia 'nos durantes' e não tivesse feito nada, o que também não aconteceu com clareza e distinção.
2. A outra conclusão também é simples: ao fim de três anos de vida "no terreno", senti que não gosto do meu metier.
Lido com chico-espertismo elevado ao quadrado, quer com as pessoas que comigo vêm ter, quer com os colegas de profissão. E no que toca a colegas, constatei que isto é com grande probabilidade geral; estou a generalizar com algum fundamento. E posso aprofundar, mas não aqui. E por ter feito parte disto, pus a mão na consciência e pensei: isto já é uma profissão difícil, desnecessariamente complexa, com muitas "interferências exteriores", muitos enganos, muitas pré-concepções, muito formalismo bacoco, ainda por cima estou a enveredar pela esperteza saloia, com riscos de enveredar pelo eticamente censurável ? Além da falta de respeito que existe para com a classe. Em grande parte merecida, diria eu. As minhas desculpas ao colegas honestos, e acima de tudo, rectos. São poucos.
Mas isto é o reflexo do país, que deixou muitas das suas reputadas instituições cair no lodo. É uma questão de mentalidade, de falta de educação, de valores, e não tanto de cargo ou de profissão.
3. A terceira conclusão é a de que tive a clara noção de qual a profissão que quero seguir.
Se não tivesse sido isso, provavelmente andaria a arrastar-me durante mais uns meses, quiça anos e a ser manifestamente incompetente e infeliz naquilo que faço. Reconheço-o, não consigo ser bom naquilo de que não gosto, se não continuar mais a enganar-me, o que manifestamente já não consigo. Foi o que fiz durante o curso, pelo menos no sentido de achar que iria seguir a carreira previsível, quiça por não vislumbrar alternativa de que gostasse mais.
O problema agora é mudar de carreira. Dir-se-ia, "quem não arrisca não petisca", mas em tempos de crise pode parecer uma aberração deitar tudo a perder no ramo onde estou.
Mas estou saturado. Estou pessoalmente apagado. Nunca me consegui integrar neste mundo, de me conformar à norma e percebi exactamente porquê. Nunca fui feliz, raros foram os momentos de algum entusiasmo e de motivação. Não dá. Nem mais um dia. Estou com sede de viver, de fazer as coisas de que sei agora gostar, de me soltar das amarras a que me agrilhoei nos últimos anos.
Ainda estou no início da carreira, de qualquer das formas; não é para isso que serve o período inicial ? Para saber se gostamos ? Na hora da verdade há que fazer o balanço e saber se queremos dar o passo seguinte.
Não obstante, isto vai ser difícil...
5 de março de 2009
Aviso à navegação
Caras e caros leitores:
Venho por este meio revelar quatro informações úteis no que concerne aos meus estaminés:
1. A partir de agora, tanto o blog O Imediato, como O Tecnocas têm uma página de comentários igualzinha à deste blog.
Espero com isto resolver os problemas que a Rute, a Margarida Faro e a Lady Godiva têm tido, especialmente os posts que têm perdido. Obrigado Rute, Margarida e Lady pelos vossos alertas!
2. Além disso, tanto O Imediato como O Tecnocas têm já também o fuso horário no GMT. Já regressei do Oceano Pacífico :D, ninguém aqui andou a fazer posts às cinco da manhã! (Obrigado Margarida!)
3. A partir de agora o blog O Tecnocas vai ser escrito por mim, em exclusivo; o Zacarias saiu de cena, retomou a agricultura e iniciou a plantação de cabos de fibra óptica no campo.
4. E, como as notícias mais importantes vêm sempre em último, que é como quem diz, em primeiro, aproveito para anunciar que O Tecnocas reabriu oficialmente! Vão lá ver!
Obrigado a todos pela atenção dispensada, a emissão segue dentro de momentos :D
Venho por este meio revelar quatro informações úteis no que concerne aos meus estaminés:
1. A partir de agora, tanto o blog O Imediato, como O Tecnocas têm uma página de comentários igualzinha à deste blog.
Espero com isto resolver os problemas que a Rute, a Margarida Faro e a Lady Godiva têm tido, especialmente os posts que têm perdido. Obrigado Rute, Margarida e Lady pelos vossos alertas!
2. Além disso, tanto O Imediato como O Tecnocas têm já também o fuso horário no GMT. Já regressei do Oceano Pacífico :D, ninguém aqui andou a fazer posts às cinco da manhã! (Obrigado Margarida!)
3. A partir de agora o blog O Tecnocas vai ser escrito por mim, em exclusivo; o Zacarias saiu de cena, retomou a agricultura e iniciou a plantação de cabos de fibra óptica no campo.
4. E, como as notícias mais importantes vêm sempre em último, que é como quem diz, em primeiro, aproveito para anunciar que O Tecnocas reabriu oficialmente! Vão lá ver!
Obrigado a todos pela atenção dispensada, a emissão segue dentro de momentos :D
31 de outubro de 2008
Vamos lá
Obrigado aos que comentaram o meu post de anteontem e o de ontem.
Não era uma fase de latência (obrigado pela bonita expressão Vítor), mas apenas de afirmação de uma ideia: a de que um dia tudo acaba e se transforma.
Apaguei os dois posts porque a ideia era mesmo essa: transmitir as duas mensagens, provocar reacções e seguir em frente. Mas guardei os comentários antes, ficam todos comigo :D
Vamos lá então.
Quem desembarcou: "Embarque!"
Quem não chegou a desembarcar: "Querem uns cacahuetes e um suminho ?" (Também há cacahuetes e suminho para quem desembarcou!)
Não era uma fase de latência (obrigado pela bonita expressão Vítor), mas apenas de afirmação de uma ideia: a de que um dia tudo acaba e se transforma.
Apaguei os dois posts porque a ideia era mesmo essa: transmitir as duas mensagens, provocar reacções e seguir em frente. Mas guardei os comentários antes, ficam todos comigo :D
Vamos lá então.
Quem desembarcou: "Embarque!"
Quem não chegou a desembarcar: "Querem uns cacahuetes e um suminho ?" (Também há cacahuetes e suminho para quem desembarcou!)
16 de outubro de 2008
Apresento-vos o Aníbal Meireles!
Tal como os dois espíritos que animam de forma totalmente diferente este corpo, também por aqui há espaço para grandes secas sobre coisas sérias (ver posts 2 e 3) e para coisas mais corriqueiras (post 4) (parvas, pronto).
9 de outubro de 2008
Início sui generis / A difficult start
Começar um blog pode ser uma tarefa fácil ou difícil. No meu caso é difícil. E por mais do que uma razão. Não é porque queira já um design gráfico personalizado, mas simplesmente porque blogues e pares de meias há muitos.
Daí querer fazer algo de... meu. E de não meu também.
O conceito é simples: textos em inglês e em português, às vezes com estilos um pouco diferentes entre si, sobre a minha percepção do mundo e sobre a do meu alter ego. Especialmente a do meu alter ego, que é quem vos escreve aqui, Aníbal Meireles.
Por outro lado, este blog começou a dar que falar ainda antes de ter começado. Isto porque, no díficil que é começar, eu fiz como as empresas: "registei a marca" primeiro, e fui aprofundar o conceito depois.
Claro está, a malta esperta da google entendeu que o meu blog VAZIO podia ser uma espécie de spam... e colocou um aviso no caminho de quem quisesse ler as heresias que estavam 'escritas' no meu blog... Nada como uma boa polémica para começar! Já me sinto um fora da lei!
Starting a blog can be easy or rather difficult. In my case, it's difficult. And on more than one account. It's not that I want a custom design right away, but simply because, like your regular pairs of socks, you have countless blogs to choose from.
And that is why I decided to start something different. Something I would relate to. And something my alter ego would too.
The concept is quite simple: posts in portuguese and in english about my perception of the world and that of my alter ego. Especially my alter ego, the one writing this post, Aníbal Meireles. Please note, I won't make literal translations of my texts; there will be subtle differences in style, which is also a way for me to communicate different perspectives on a subject. All part of my double personality.
On the other hand, this blog started being talked about even before its debut. Did I mention it is difficult to start a blog ? Well, like some companies, I registered my "trademark" first and then went on to develop the blog's concept in my head.
The problem is that those smart people over at google thought that my EMPTY blog could be a spam blog... and put a big warning sign for anyone who would attempt to read my herectic EMPTY blog. So there you have it, it IS difficult to start a blog!
Daí querer fazer algo de... meu. E de não meu também.
O conceito é simples: textos em inglês e em português, às vezes com estilos um pouco diferentes entre si, sobre a minha percepção do mundo e sobre a do meu alter ego. Especialmente a do meu alter ego, que é quem vos escreve aqui, Aníbal Meireles.
Por outro lado, este blog começou a dar que falar ainda antes de ter começado. Isto porque, no díficil que é começar, eu fiz como as empresas: "registei a marca" primeiro, e fui aprofundar o conceito depois.
Claro está, a malta esperta da google entendeu que o meu blog VAZIO podia ser uma espécie de spam... e colocou um aviso no caminho de quem quisesse ler as heresias que estavam 'escritas' no meu blog... Nada como uma boa polémica para começar! Já me sinto um fora da lei!
Starting a blog can be easy or rather difficult. In my case, it's difficult. And on more than one account. It's not that I want a custom design right away, but simply because, like your regular pairs of socks, you have countless blogs to choose from.
And that is why I decided to start something different. Something I would relate to. And something my alter ego would too.
The concept is quite simple: posts in portuguese and in english about my perception of the world and that of my alter ego. Especially my alter ego, the one writing this post, Aníbal Meireles. Please note, I won't make literal translations of my texts; there will be subtle differences in style, which is also a way for me to communicate different perspectives on a subject. All part of my double personality.
On the other hand, this blog started being talked about even before its debut. Did I mention it is difficult to start a blog ? Well, like some companies, I registered my "trademark" first and then went on to develop the blog's concept in my head.
The problem is that those smart people over at google thought that my EMPTY blog could be a spam blog... and put a big warning sign for anyone who would attempt to read my herectic EMPTY blog. So there you have it, it IS difficult to start a blog!
28 de maio de 1988
E se...
...pudéssemos escrever a nossa história num diário à medida que nos fossemos lembrando dela, ora em marcha atrás saltitante, ora em rigorosa sucessão cronológica, desde o dia de que conseguimos ter memória, até ao dia em que o blog realmente arrancou ? Construindo um puzzle, que, aos olhos de quem lê, se vai completando a pouco e pouco.
E quem saberia depois o dia em que o blog oficialmente largou as amarras ? Por o autor a isso se ter referido no blog ? Pois claro. Mas e se o autor do blog, de propósito, plantou essa âncora para enganar os leitores ? Questão mais fácil é determinar a data em que o serviço de blogs entrou em cena. 1988 é uma data difícil de encaixar. Embora o texto até pudesse ter sido escrito num computador e, quiça, até colocado num servidor, numa BBS, ou coisa do género.
A história é feita uma vez, mas refeita muitas vezes depois disso.
E quem saberia depois o dia em que o blog oficialmente largou as amarras ? Por o autor a isso se ter referido no blog ? Pois claro. Mas e se o autor do blog, de propósito, plantou essa âncora para enganar os leitores ? Questão mais fácil é determinar a data em que o serviço de blogs entrou em cena. 1988 é uma data difícil de encaixar. Embora o texto até pudesse ter sido escrito num computador e, quiça, até colocado num servidor, numa BBS, ou coisa do género.
A história é feita uma vez, mas refeita muitas vezes depois disso.
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