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21 de dezembro de 2009

Em prol do conhecimento universal

A Wikipedia já faz parte do meu quotidiano; tornou-se uma companheira de facto nas minhas incursões na internet, em pesquisas sobre tudo e mais alguma coisa. É quase como beber água. Já não sei o que é a internet sem este site.

A Wikipedia, não sendo um projecto com fins comerciais, depende de contribuições voluntárias.

Para mim, uma enciclopédia é um dos bens mais preciosos que existem; e, neste novo formato, a informação a nível global, em várias línguas, acessível no mundo inteiro, por todos, de graça, é um projecto valiosíssimo, e no qual eu acredito.

Mas também acredito que isto de andarmos a cavalgar a onda dos outros é uma idiotice e uma burrice a médio/longo prazo.
Ou, em linguagem de economista - e um pouco mais polida em consequência disso -, aproveitar a externalidade positiva - o facto de outros contribuirem financeiramente para a manutenção do site, não dando nós nenhum para a causa, quando podemos, é uma sacanice, um comportamento digno dos abutres (e com esta tirada abandono a linguagem de economista).

Atentem, eu disse "quando podemos", porque quando não se pode, não se pode, e algo que é grátis e universal tem naturalmente em conta esses casos no seu conceito. Mas tirando os casos de necessidade, já pensaram bem quanto é que custa uma enciclopédia numa loja ?

Eu já consultei a Wikipedia muitas centenas de vezes, ao ponto de lhe ter perdido completamente a conta. Por isso, quando a Wikipedia lançou há dias a campanha de angariação de fundos para este ano fiscal, eu não pude ignorar; já o ano passado estive quase para dar, mas enrolei tanto que eles entretanto conseguiram o dinheiro que tinham estipulado. Mas podia ter doado na mesma; eles aceitam doações o ano todo. Foi preguiça aliada ao esquecimento e ao comodismo. Desta vez doei 37 euros.

Eles aceitam doações a partir de UM DÓLAR (também pode ser em Euros). A quantos cafés ou cigarros em manhãs de stress, ou a quantas bugigangas compradas em lojas low-cost que não servem para nada corresponde um dólar ?

Vá, eu sei que este post parece um folheto publicitário, mas é por uma boa causa. Juntem-se.

30 de julho de 2009

Notas do meu dossiê - parte 3

I see a purple cloud floating above me
As I wander through this god's maze

And try to decipher if the cloud's gonna rain...

Is this just a craze ?


I take a stroll in my dreams

To the cloud that turned green

Bright sunny day, blue sky, warm feel

Watch the cloud, what a dream to steal...


I'm awake




Contexto em que foi escrito:

Este pequeno poema tem a particularidade de ter sido escrito em tempo real, sem qualquer alteração e sem ter sido previamente pensado, durante uma relativamente inspirada conversa de IRC (Internet Relay Chat, um sistema percursor do Messenger), quando eu tinha 18 anos.

26 de julho de 2009

Notas do meu dossiê - parte 2

Último poema escrito em inglês; adolescência tardia; tinha eu 19 anos e muita confusão acumulada na cabeça. As pessoas com quem me cruzo são-me quase todas muito estranhas e não consigo lidar com elas de forma normal. Ainda assim acho que vou tendo a lucidez de conseguir ir descrevendo o que me rodeia. Já sou porém parco nas palavras; quase não escrevo, estou imerso na solidão, na angústia, na incerteza. O pouco que escrevo é talvez mais claro, mais directo, mais crú, sobretudo menos confuso para analisar.

Encontro uma rapariga que me suscita um sentimento estranhíssimo, paralelo à sua própria existência e àquilo de que me lembro que ela própria escrevia. Ofereci-lhe uma rosa vermelha no dia do seu aniversário. E nada mais.

What if you die ?
Dream-disaster premonition
I'll not tolerate having you.

Dream-clouds, boundless infinitude
Daydream desire,
mess
Inflicted on oneself lust

My sordid love for you



P.S. - Fico sempre a achar que a palavra sordid transmite uma ideia mais badalhoca do que aquilo que é a minha intenção (e o duplo significado de lust também não ajuda) . Se quisesse podia agora ter embelezado a coisa e substituído sordid por strange e o poema ficaria com um ar mais normal, mais suave. Mas é isso tudo o que ele não é. A carga significante da última linha atira-o para o nível do desconforto. Mais do que eu queria, é certo, mas prefiro dar esta explicação a alterá-lo. Sordid aqui tem o sentido de desconfortável; de sujo no sentido de ser desonesto, por não ter na realidade nada que ver com amor, apesar de eu idealizar que sim; é antes uma carência afectiva projectada em alguém que naquele momento eu identifiquei como estando tão estranha como eu.

12 de julho de 2009

Notas do meu dossiê - parte 1

Revelo aqui um 'poemazito' que foi entregue a alguém muito especial, fazendo parte de uma "obra" mais vasta. Tinha eu 17 anos. Como eu na altura era parvo e tímido, não sabia se queria uma amizade ou algo mais. Essa indecisão latente, a par do normal decorrer da vida - percursos diferentes, e do tempo, acabou por nos separar.

É uma espécie de introdução à minha pessoa de outrora e um piscar de olho à moçoila, em jeito de elogio:

This is who I am
Nothing particular, you see
I only wish I was insane
So I could walk out on me
And find the one to blame
Simpler it could simply not be.

Not a rarity by a bit
This is no kind of disease
You could call it bullshit
I call it lack of ease

Only now did I remember
That look in your eyes, so tender
Only now did I forget
All the bad things I did and regret

Do you know the feeling of wanting to say a million things ?
All at the same time, with no schedule, nor delay ?
For once, this is all I want to say.

9 de julho de 2009

Notas do meu dossiê


Tenho cá por casa um dossiê onde fui acumulando escritos ao longo da segunda metade da adolescência, a começar nos 15 e a acabar nos 19 anos.

Na essência são parvoíces daquela idade. Muita gente que conheço passados uns anos rasga tudo e mete no lixo. Eu recolhi todos os escritos à medida que os ia encontrando e guardei-os a todos num único dossiê. Há uns bons anos que está estático. É um retrato de uma época. Os sentimentos, as aflições, as questões, as confusões, as certezas, as paixões, de tudo um pouco se pode encontrar.

Estou a considerar publicar aqui algumas coisas desse dossiê. Mas antes uma pergunta. E vocês ? Guardaram os escritos da adolescência ?

8 de julho de 2009

O meu jogo de computador favorito

Veio ao acaso quando lia as notícias e me deparei com o lançamento do The Secret of Monkey Island: Special Edition, a par de uma série de aventuras novas chamadas Tales of Monkey Island.

O The Secret of Monkey Island foi lançado pela primeira vez em 1990, numa altura em que, em Portugal, era perfeitamente normal piratear jogos. Todos na escola o faziam, e as lojas, mesmo em grandes centros comerciais, também. Copiavam-se jogos, fotocopiavam-se manuais de intruções. códigos anti-cópia, etc. Tudo a preços muito acessíveis.

O meu encontro com o jogo, em 1991, foi puramente ocasional. Numa loja em particular era disponibilizada uma lista enorme de jogos disponíveis para copiar. Olhando para o título e confundindo com outro jogo de que tinha lido, fiquei a achar que era um jogo de plataformas que metia um ou mais macacos ao barulho. Tudo indicado para uma idade em que amacacar é a palavra de ordem :D

Quando cheguei a casa com as disquetes do jogo fiquei inicialmente desiludido. Não havia plataformas. Era um jogo de aventura, escrito em inglês. O que é que eu ia fazer com aquele jogo ? Parecia-me inacessível para a minha tenra idade.

Hoje em dia dou graças ao acaso. O The Secret of Monkey Island, a par da sequela, é o melhor jogo que eu já joguei. Nada de gráficos espampanantes de agora, nada de mulheres em poses sugestivas, violência gratuita ou corridas malucas.

'Apenas' uma história de piratas de encantar em cenários idílicos nas Caraíbas. E muito humor, ora inteligente, ora absurdamente engraçado. Ainda hoje consigo encontrar coisas novas com que rir ou sorrir no jogo, fruto da maior maturidade (minha) .

E os defensores dos direitos de autor que descontraiam. Um jogador satisfeito acaba por retribuir: em 1992 saiu o Monkey Island 2 e eu fui comprá-lo o mais depressa que pude! E em 1996 acabei por comprar o original "remasterizado", já em CD, com gráficos e uma banda sonora um pouco melhores.

Na altura em que saiu este jogo fez história, sendo hoje unanimemente considerada uma obra-prima do entertenimento moderno. E de tal modo perdurou na memória de quem jogava nesses tempos que nunca foi esquecido, merecendo sempre uma revisita de quando em vez.

Se são do tempo do jogo, mas já não têm o original, ou se nunca o jogaram, é uma óptima altura para dar uma espreita e quiça, encantarem-se também. Esta Special Edition, com gráficos up to date, mas captam o ambiente do original, com vozes em vez de texto pela primeira vez, e com a particularidade de incluir o original, como podem ver no vídeo abaixo, sai a 15 de Julho na plataforma Steam (para PC).

Site oficial: http://lucasarts.com/games/monkeyisland/

Aqui fica o vídeo com o making of:

16 de maio de 2009

Senti


Estava eu em mais uma incontável noite, em que o corpo se recusa a ir para a cama, quando me apeteceu rever este filme.

E foi aí que senti. Perceber é uma coisa. Sentir é perceber e algo mais. Algo que faz com que digamos para nós mesmos "É isto!"; dá-se um click em relação à realidade em que nos movemos, que nos faz abrir a porta para aquilo que andávamos a protelar, a esconder, a evitar sentir. Sentir é saber intimamente algo.

Embora um excerto do exacto momento do filme a que me refiro fosse o ideal, deixo-vos aqui a transcrição do mesmo:

"Instead, Harold did that which had terrified him before. That which had eluded him Monday through Friday for so many years.That which the unrelenting lyrics of numerous punk rock songs told him to do: Harold Crick lived his life.

But despite resuscitating his life, reviving his hope and instilling a few wicked calluses (de tocar a sua nova guitarra), Harold's journey ("dia") was still incomplete."

E foi aqui que eu senti: sei finalmente porque é que não consigo adormecer. O meu dia está incompleto.

E mesmo que tecnicamente a minha recusa em ir para a cama se arraste invariavelmente para o dia seguinte, eu ainda estou na incompletude do dia anterior.

E agora se me dão licença vou acabar de ver o filme, que estou a ficar com algum sono :D

27 de março de 2009

A minha vida tem de mudar nos próximos dias

Ao longo dos últimos meses cheguei a várias conclusões quanto ao que quero fazer na vida.


1. A primeira resume-se com grande facilidade: tirei o curso certo para não perceber nada sobre o mundo e sobre a realidade específica do mundo para a qual o curso me prepararia.

Não me pareceu bem repetir a ideia do "tirei o curso errado", porque é fácil olhar para trás e tirar conclusões precipitadas e radicais, a não ser que tivesse sido obrigado a tirar o curso, que não fui, ou que conscientemente tivesse tido essa ideia 'nos durantes' e não tivesse feito nada, o que também não aconteceu com clareza e distinção.

2. A outra conclusão também é simples: ao fim de três anos de vida "no terreno", senti que não gosto do meu metier.

Lido com chico-espertismo elevado ao quadrado, quer com as pessoas que comigo vêm ter, quer com os colegas de profissão. E no que toca a colegas, constatei que isto é com grande probabilidade geral; estou a generalizar com algum fundamento. E posso aprofundar, mas não aqui. E por ter feito parte disto, pus a mão na consciência e pensei: isto já é uma profissão difícil, desnecessariamente complexa, com muitas "interferências exteriores", muitos enganos, muitas pré-concepções, muito formalismo bacoco, ainda por cima estou a enveredar pela esperteza saloia, com riscos de enveredar pelo eticamente censurável ? Além da falta de respeito que existe para com a classe. Em grande parte merecida, diria eu. As minhas desculpas ao colegas honestos, e acima de tudo, rectos. São poucos.

Mas isto é o reflexo do país, que deixou muitas das suas reputadas instituições cair no lodo. É uma questão de mentalidade, de falta de educação, de valores, e não tanto de cargo ou de profissão.


3. A terceira conclusão é a de que tive a clara noção de qual a profissão que quero seguir.

Se não tivesse sido isso, provavelmente andaria a arrastar-me durante mais uns meses, quiça anos e a ser manifestamente incompetente e infeliz naquilo que faço. Reconheço-o, não consigo ser bom naquilo de que não gosto, se não continuar mais a enganar-me, o que manifestamente já não consigo. Foi o que fiz durante o curso, pelo menos no sentido de achar que iria seguir a carreira previsível, quiça por não vislumbrar alternativa de que gostasse mais.


O problema agora é mudar de carreira. Dir-se-ia, "quem não arrisca não petisca", mas em tempos de crise pode parecer uma aberração deitar tudo a perder no ramo onde estou.

Mas estou saturado. Estou pessoalmente apagado. Nunca me consegui integrar neste mundo, de me conformar à norma e percebi exactamente porquê. Nunca fui feliz, raros foram os momentos de algum entusiasmo e de motivação. Não dá. Nem mais um dia. Estou com sede de viver, de fazer as coisas de que sei agora gostar, de me soltar das amarras a que me agrilhoei nos últimos anos.

Ainda estou no início da carreira, de qualquer das formas; não é para isso que serve o período inicial ? Para saber se gostamos ? Na hora da verdade há que fazer o balanço e saber se queremos dar o passo seguinte.


Não obstante, isto vai ser difícil...