Último poema escrito em inglês; adolescência tardia; tinha eu 19 anos e muita confusão acumulada na cabeça. As pessoas com quem me cruzo são-me quase todas muito estranhas e não consigo lidar com elas de forma normal. Ainda assim acho que vou tendo a lucidez de conseguir ir descrevendo o que me rodeia. Já sou porém parco nas palavras; quase não escrevo, estou imerso na solidão, na angústia, na incerteza. O pouco que escrevo é talvez mais claro, mais directo, mais crú, sobretudo menos confuso para analisar.
Encontro uma rapariga que me suscita um sentimento estranhíssimo, paralelo à sua própria existência e àquilo de que me lembro que ela própria escrevia. Ofereci-lhe uma rosa vermelha no dia do seu aniversário. E nada mais.
What if you die ?
Dream-disaster premonition
I'll not tolerate having you.
Dream-clouds, boundless infinitude
Daydream desire,
mess
Inflicted on oneself lust
My sordid love for you
P.S. - Fico sempre a achar que a palavra sordid transmite uma ideia mais badalhoca do que aquilo que é a minha intenção (e o duplo significado de lust também não ajuda) . Se quisesse podia agora ter embelezado a coisa e substituído sordid por strange e o poema ficaria com um ar mais normal, mais suave. Mas é isso tudo o que ele não é. A carga significante da última linha atira-o para o nível do desconforto. Mais do que eu queria, é certo, mas prefiro dar esta explicação a alterá-lo. Sordid aqui tem o sentido de desconfortável; de sujo no sentido de ser desonesto, por não ter na realidade nada que ver com amor, apesar de eu idealizar que sim; é antes uma carência afectiva projectada em alguém que naquele momento eu identifiquei como estando tão estranha como eu.
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26 de julho de 2009
12 de julho de 2009
Notas do meu dossiê - parte 1
Revelo aqui um 'poemazito' que foi entregue a alguém muito especial, fazendo parte de uma "obra" mais vasta. Tinha eu 17 anos. Como eu na altura era parvo e tímido, não sabia se queria uma amizade ou algo mais. Essa indecisão latente, a par do normal decorrer da vida - percursos diferentes, e do tempo, acabou por nos separar.
É uma espécie de introdução à minha pessoa de outrora e um piscar de olho à moçoila, em jeito de elogio:
This is who I am
Nothing particular, you see
I only wish I was insane
So I could walk out on me
And find the one to blame
Simpler it could simply not be.
Not a rarity by a bit
This is no kind of disease
You could call it bullshit
I call it lack of ease
Only now did I remember
That look in your eyes, so tender
Only now did I forget
All the bad things I did and regret
Do you know the feeling of wanting to say a million things ?
All at the same time, with no schedule, nor delay ?
For once, this is all I want to say.
É uma espécie de introdução à minha pessoa de outrora e um piscar de olho à moçoila, em jeito de elogio:
This is who I am
Nothing particular, you see
I only wish I was insane
So I could walk out on me
And find the one to blame
Simpler it could simply not be.
Not a rarity by a bit
This is no kind of disease
You could call it bullshit
I call it lack of ease
Only now did I remember
That look in your eyes, so tender
Only now did I forget
All the bad things I did and regret
Do you know the feeling of wanting to say a million things ?
All at the same time, with no schedule, nor delay ?
For once, this is all I want to say.
31 de janeiro de 2009
Não sei o que escrever...
Eu bem queria desanuviar, pensar bonito, passear pelas palavras, teorizar as cores, os amores, os personagens.
Eu bem queria estar ali, acolá, acoli.
Eu bem queria soltar-me das amarras que me prendem à terra e voar pelos ideais, pela música, pelas paisagens de pôr-do-sol num cenário de viagem automobilística por uma estrada desenhada no campo.
Por entre árvores e adjacentes campos de silvas a entrecortar o romântico cair da tarde, enquanto distraio a mente pelos raios de sol que vejo cruzarem o meu futuro caminho no alcatrão. O meu destino pode esperar por este momento.
Olho pela janela na direcção oposta ao sol e vejo o seu reflexo nas árvores que ladeiam a estrada, nos extensos campos e nas montanhas ao longe, reflectindo a sua energia, presenteando-me a existência com a definição de felicidade.
Eu queria... mas o país está oficialmente podre...
E é por isso que vou.
Vou fazer tudo o que disse acima.
(Não se esqueçam de votar na sondagem aqui ao lado)
Eu bem queria estar ali, acolá, acoli.
Eu bem queria soltar-me das amarras que me prendem à terra e voar pelos ideais, pela música, pelas paisagens de pôr-do-sol num cenário de viagem automobilística por uma estrada desenhada no campo.
Por entre árvores e adjacentes campos de silvas a entrecortar o romântico cair da tarde, enquanto distraio a mente pelos raios de sol que vejo cruzarem o meu futuro caminho no alcatrão. O meu destino pode esperar por este momento.
Olho pela janela na direcção oposta ao sol e vejo o seu reflexo nas árvores que ladeiam a estrada, nos extensos campos e nas montanhas ao longe, reflectindo a sua energia, presenteando-me a existência com a definição de felicidade.
Eu queria... mas o país está oficialmente podre...
E é por isso que vou.
Vou fazer tudo o que disse acima.
(Não se esqueçam de votar na sondagem aqui ao lado)
31 de outubro de 2008
Simple Things II
If I were to describe
What I feel inside
Words would soon surrender
To the sudden emptiness I remember
(por Aníbal Meireles)
...às vezes quando confrontados com uma situação sentimo-nos assim. Ou não ? Às vezes dura segundos, minutos, outras demora dias, meses, até anos. Nada nos ocorre dizer. Ou nada do pouco que nos ocorre parece fazer sentido ali. Quando sai, sai mal. Onde está a palavra certa ? Onde está o sentimento ? Onde está o que devemos fazer para não nos magoarmos e não magoarmos ninguém ?
Com o tempo vai passando, mas fica-nos por vezes a palavra que saiu ao lado. "Mas enfim", dizemos nós. Fizémos o que podíamos, mas mesmo que não, arrumamos o desconforto que sentimos à janela, porque a fatalidade não existe. Amanhã mandamo-lo pela janela, corrigimos, voltamos ao local, fazemos melhor, ficamos bem.
What I feel inside
Words would soon surrender
To the sudden emptiness I remember
(por Aníbal Meireles)
...às vezes quando confrontados com uma situação sentimo-nos assim. Ou não ? Às vezes dura segundos, minutos, outras demora dias, meses, até anos. Nada nos ocorre dizer. Ou nada do pouco que nos ocorre parece fazer sentido ali. Quando sai, sai mal. Onde está a palavra certa ? Onde está o sentimento ? Onde está o que devemos fazer para não nos magoarmos e não magoarmos ninguém ?
Com o tempo vai passando, mas fica-nos por vezes a palavra que saiu ao lado. "Mas enfim", dizemos nós. Fizémos o que podíamos, mas mesmo que não, arrumamos o desconforto que sentimos à janela, porque a fatalidade não existe. Amanhã mandamo-lo pela janela, corrigimos, voltamos ao local, fazemos melhor, ficamos bem.
21 de outubro de 2008
Simple things / A voz da paixão
Ele, depois:
Já dei e prometi
Tudo o que não tenho
Pouco do que vivi
Porque me abstenho ?
Já não vou, fico aqui.
É a conta em que te estranho
Dei pouco do que sou.
Sem ilusão, o que ficou ?
Fiquei eu sem saber
Por onde fui que aqui vim ter
E sem saber desfazer o nó
Em que gaveta me esconder
Escuridão, reclusão
A gaveta é suja e desorganizada
O tempo corre lá fora
É uma vida complicada
Disse com a lógica marada:
Foste quase a minha morte
Foste a minha vida azarada,
Mas eu agora tenho sorte
Foste-o sem culpa nenhuma
Mas eu de mim sei e de mim trato
Afinal chorei por ti lágrimas de lagarto
Mas aos poucos vejo o amanhecer
E de alfinetada em alfinetada
Tomo o tempo de perceber
Que o tempo corre afinal
Como eu muito bem entender
E agora com a manhã que me presenteia o pensamento
Só uma ideia me surge bem de perto no firmamento
Foste paixão assolapada, foste uma vida por viver
Foste sempre determinada, só eu não quis saber
À conclusão vale a pena
Fazer um bom balanço
Não fiz qualquer cinema
Nem tampouco grande avanço
Mas do avanço que fiz
Chegou para perceber
Que não era para ti
Todo o meu querer
Desculpa qualquer coisa,
Todo o teu sofrer
Só a paixão era forte
Demorei a entender
Sigo assim pela gente
Bem mais animado
Sabendo pela frente
Um futuro descomplicado
Por intrínseco que pareça
O melhor é sermos nós.
Não vá um dia e aconteça
Ouvir de novo a tua voz.
Ela, antes : "I don't want the world I want you"
por Aníbal Meireles
Já dei e prometi
Tudo o que não tenho
Pouco do que vivi
Porque me abstenho ?
Já não vou, fico aqui.
É a conta em que te estranho
Dei pouco do que sou.
Sem ilusão, o que ficou ?
Fiquei eu sem saber
Por onde fui que aqui vim ter
E sem saber desfazer o nó
Em que gaveta me esconder
Escuridão, reclusão
A gaveta é suja e desorganizada
O tempo corre lá fora
É uma vida complicada
Disse com a lógica marada:
Foste quase a minha morte
Foste a minha vida azarada,
Mas eu agora tenho sorte
Foste-o sem culpa nenhuma
Mas eu de mim sei e de mim trato
Afinal chorei por ti lágrimas de lagarto
Mas aos poucos vejo o amanhecer
E de alfinetada em alfinetada
Tomo o tempo de perceber
Que o tempo corre afinal
Como eu muito bem entender
E agora com a manhã que me presenteia o pensamento
Só uma ideia me surge bem de perto no firmamento
Foste paixão assolapada, foste uma vida por viver
Foste sempre determinada, só eu não quis saber
À conclusão vale a pena
Fazer um bom balanço
Não fiz qualquer cinema
Nem tampouco grande avanço
Mas do avanço que fiz
Chegou para perceber
Que não era para ti
Todo o meu querer
Desculpa qualquer coisa,
Todo o teu sofrer
Só a paixão era forte
Demorei a entender
Sigo assim pela gente
Bem mais animado
Sabendo pela frente
Um futuro descomplicado
Por intrínseco que pareça
O melhor é sermos nós.
Não vá um dia e aconteça
Ouvir de novo a tua voz.
Ela, antes : "I don't want the world I want you"
por Aníbal Meireles
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